Xenofobia na RAS

Sul-africanos mobilizados pelo “Grupo dos residentes preocupados de Mamelodi”, maior bairro residencial de negros a Leste da cidade de Pretória, vão à rua nesta sexta-feira para protestarem contra o fluxo de emigrantes (xenofobia) africanos e paquistaneses na África do Sul.

A marcha, prevista para começar às 11H00, será precedida por uma reunião de concertação, devendo terminar nos Ministérios do Trabalho e do Home Affairs – Assuntos Internos.

O ministro dos Assuntos Internos, Malusi Gigaba, confirmou nesta quinta-feira a jornalistas na Cidade do Cabo ter recebido representantes do chamado “Grupo dos residentes preocupados de Mamelodi.

Segundo o ministro Gigaba, “a marcha foi autorizada” nos termos da lei sul-africana, mas apelou aos organizadores a garantirem ordem e disciplina.

O ministro falou da recente pilhagem e destruição de casas arrendadas por nigerianos nos bairros de Joanesburgo e Pretória, alegadamente contra a venda de drogas e prostituição.

Os residentes preocupados de Mamelodi convocaram a manifestação através de panfletos e mensagens nas redes sociais, alegadamente para expressarem o que consideram sua insatisfação em relação ao fluxo de estrangeiros no país, que na sua opinião ocupam postos de trabalho criados para sul-africanos.

Xenofobia - Um dos panfletos em circulação em Pretória apelando à manifestação contra estrangeiros
Xenofobia – Um dos panfletos em circulação em Pretória apelando à manifestação contra estrangeiros

No Ministério do Trabalho, os manifestantes vão exigir postos de emprego e medidas contra firmas que empregam estrangeiros, sobretudo os sectores hoteleiro e agrário dominados por zimbabueanos e moçambicanos, respectivamente.

No Ministério do Home Affairs, os manifestantes querem travar a concessão de estatuto de refugiados a cidadãos nigerianos, zimbabueanos e a outros emigrantes.

Para os organizadores da marcha, o Zimbábue e a Nigéria não estão em guerra.

Um dos panfletos das mensagens de convocação da marcha a que o Correio da manhã teve acesso começa por questionar a razão por que o Governo sul-africano, através do Home Affairs, concede asilo a nigerianos, zimbabueanos e paquistaneses. Os residentes preocupados de Mamelodi dizem que na África do Sul o desemprego ronda os 34 por cento contra os 27 por cento anunciados pelo Instituto Nacional de Estatísticas.

A vice-ministra do Home Affairs, Fatima Chohan, disse ao Correio da manhã que em 2016 o seu pelouro recebeu 40 mil pedidos de asilo de  emigrantes de todo o Mundo, incluindo da África Austral, mas destes apenas 10 por cento eram de refugiados considerados genuínos.

A governante revelou que no ano anterior o ministério recebeu 67 mil pedidos, só que destes menos de cinco por cento eram de refugiados genuínos.

Para Fatima Chohan, “as pessoas abusam o sistema”. Mas agora o ministério apetrechou o sistema informático no centro de recepção de pedidos de asilo em Pretória.

A maior parte dos emigrantes na África do Sul é considerada refugiada económica que procura melhores condições de vida, disputando oportunidades com sul-africanos nos centros urbanos e nas comunidades.

Thangani wa Tiyani, correspondente na África do Sul

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