Pobres africanos zangados

Pobres africanos zangados – Creio que na primeira crónica no Correio da manha sob a rubrica O Rancor do Pobre  falei da razão da escolha desta capa para as minhas crónicas semanais.

Disse que a minha humilde mãe, Alcina João Machava, que Deus a tenha em paz, dizia aos seus filhos para nunca guardarem rancor com coisas alheias porque o pobre não tem rancor -“a xi siwana a xina khulu ou zanga”. A velha sempre dizia aos filhos para cuspirem para o chão depois de apreciarem boas coisas alheias para não emagrecerem.

Os povos africanos escravizados e colonizados por potências ocidentais tornaram-se independentes a partir dos finais da década de 1950, mas ainda não resolveram a questão da pobreza generalizada.

As elites políticas dirigentes meteram-se em esquemas de corrupção um pouco por todo o continente africano. África passou a ser conhecida como região de doenças, fome, ninho de corrupção, pobreza extrema e muitos outros males.

Os dirigentes africanos sempre usam a escravatura e o colonialismo como desculpas para o mau desempenho da sua governação. Mas vários outros países também colonizados conseguiram desenvolver-se após alcançarem suas independências das potências colonizadoras.

África continua um continente dependente de tudo. Muitos jovens africanos perdem a vida na tentativa de chegarem à Europa através do mar, fugindo da pobreza extrema nos seus respectivos países de origem.

O presidente norte-americano, Donald Trump, cujo país beneficiou do trabalho de escravos africanos, é citado como tendo afirmado que os Estados Unidos da América já não precisam de emigrantes africanos dos “países covas de lixo ou lixeiras”. Para Trump, o seu país pode receber emigrantes da Noruega, um estado europeu.

O grupo dos países africanos junto das Nações Unidas reagiu furiosamente contra o alegado pronunciamento do presidente norte-americano.

A África do Sul chamou nesta segunda-feira a encarregada de Negócios da Embaixada norte-americana em Pretória para explicar o sentido do alegado pronunciamento do seu chefe.

Os africanos estão zangados com as palavras atribuídas ao presidente do país mais industrializado do Mundo.

Os Estados Unidos da América foram colonizados pelo império britânico até 1776. Com o trabalho dos escravos africanos e dos próprios americanos, o país tornou-se a maior potência industrial do Mundo.

Os africanos podem zangar-se hoje com Trump, mas precisam do seu apoio material e financeiro.

O pobre não tem rancor.

THANGANI WA TIYANI

Este artigo foi publicado em primeira mão na versão PDF do jornal Correio da manhã,  edição de 17 de Janeiro 2018, na rubrica semanal RANCOR DO POBRE!.

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