Imitações fatais!

Imitações fatais! É antiga a fábula do macaco que se matou por imitir um lavrador que vivia próximo de uma mata, habitat natural do aludido símio, e que costumava ver o homem fazendo barba dia sim, dia não… Um dia o primata conseguiu furtar uma lâmina e lá se foi “barbear”, sem parar, não obstante o sangramento, até ao suspiro final.

De forma alguma com este introito pretendo desvalorizar a igualmente velha máxima segundo a qual “há no macaco uma inteligência não aproveitada que faz falta a muita gente”!

É que, de facto, há gente que nem com tantos exemplos da História Política Universal aprende.

A História, da qual alguns “políticos aventureiros” dela pouco se importam, é uma aula sempre actual a não desperdiçar.

É que assistimos, em 2000, um partido político, num certo país, expulsar um valioso quadro seu, na base de fofocas, uma velha estratégia política que a História ensina.

Numa atitude que nem de um macaco imitador, em 2009, o mesmo partido quis copiar uma acção de uma experiente e temperada organização, trocando um edil que teve um desempenho brilhante. Resultado: fissura clamorosa no partido imitador e continuação da coesão na organização organizada.

São, até hoje, irreparáveis os danos das atitudes desmioladas e aventureiras de 2000 e 2009 desse partido político imitador.

Porque a moda de acumulação/troca de cargos e funções quase sempre em torno das mesmas pessoas parece moda no partido cinquentenário, o partido imitador lá vai, também, seguindo as mesmas peugadas, numa aparente demonstração de que na prática, de alternativa em termos de ideologia/princípios dele pouco ou nada se pode esperar.

Uma coisa que me intriga e não encontro explicação para a mesma é: sendo os dois partidos protagonistas desta matéria integrados por milhões de membros e/ou seguidores (evidenciam isso os resultados eleitorais dos pleitos ciclicamente realizados, não vem aqui a debate se fraudulentos ou não…), por que razão há uma dúzia e pouco de bafejados a acumular cargos e os restantes a ver navios a passar e simplesmente “figurantes úteis” para correrias e palhaçadas em tempos de campanhas eleitorais?!

Foi recentemente convocada nesse imaginário país uma eleição intercalar e os dois partidos foram pegar pessoas já ocupadas para concorrer ao cargo de edil: um ex e actual director, para além de docente (oriundo do partido experiente) e um actual deputado e docente (do imitador). Há aqui a agravante de o segundo recorrer a um idoso (57 anitos)! Não terá esta organização, que diz pretender ser alternativa, jovens disponíveis? Ou é uma atitude deliberada de concorrer para perder e, depois, como sempre, reclamar fraude e, em caso extremo, recorrer a actos violentos em prejuízo de muitos inocentes e até certo ponto desinteressados nessa disputa política?

REFINALDO CHILENGUE

Este artigo foi publicado em primeira mão na edição do dia 01 de Dezembro de 2017, na versão PDF do jornal Correio da manhã, na rubrica semanal TIKU15!

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