Hipocrisia dos politicos

Hipocrisia dos politicos: Eu já disse que nem morto quero ser político. Já pedi a Deus todo poderoso para me poupar dessa hipocrisia, porque durante a minha vida na Terra tenho tentado ser o mais honesto possível em quase tudo na sociedade.

Os meus pais, que Deus os tenha, também foram honestos na medida do possível até à morte, porque não eram políticos. Alguns políticos são ou foram honestos, tal é o caso do comandante Fidel Castro, de Cuba, Nelson Mandela, da África do Sul, só para citar alguns.

Mas o idoso Presidente zimbabueano, Robert Mugabe, embarcou nos últimos tempos numa campanha de críticas veladas contra Nelson Mandela, acusando-o de se ter preocupado mais com a sua libertação da cadeia pelo regime do apartheid negligenciando aspectos considerados importantes para a liberdade do povo sul-africano, tais como a posse da terra.

Mugabe acha que Mandela foi muito benevolente nas negociações com o Governo de Frederick de Klerk, último Presidente branco na África do Sul de maioria negra.

Para Robert Mugabe, os brancos na África do Sul são ainda patrões e empregadores dos negros, são donos das terras e mantêm chaves da economia por causa de Nelson Mandela.

No entanto, Mugabe esquece, talvez por culpa da idade avançada, que em Dezembro de 1979 ele assinou o acordo de Lancaster House que permitiu a criação e o reconhecimento do Zimbabwe, substituindo a Rodésia criada por Ian Douglas Smith https://pt.wikipedia.org/wiki/Ian_Smith, através da declaração unilateral da independência em 1965.

Quando o Zimbabwe proclamou a independência, em 1980, as terras permaneceram nas mãos dos brancos de origem britânica por mais de 10 anos.

Na década de 1980, o Presidente Samora Machel, de Moçambique, foi questionado por um jornalista ocidental sobre o radicalismo da nacionalização da terra e dos prédios de rendimento praticado logo depois da independência nacional em 1975, como tendo motivado o conflito armado que o país enfrentava. O jornalista dava o exemplo do Zimbabwe, de Robert Mugabe, que estava em paz porque os brancos mantinham as suas propriedades mesmo depois da independência em Abril de 1980.

A expropriação começou na década de 2000, quando o governo britânico não financiou o processo de aquisição das terras. Mais de 300 mil cidadãos zimbabueanos vivem na África do Sul como refugiados económicos, muitos dos quais em condições precárias, por causa de políticas extremistas da reforma agrária em casa. Pelo menos 10 refugiados morrem por mês na África do Sul.

Nelson Mandela foi encarcerado por lutar pelo princípio básico da democracia – um homem um voto – e defendia que a África do Sul pertence a todos os que nela vivem: negros, brancos e outros. Não foi racista nem presidente vitalício do país, como Robert Gabriel Mugabe.

THANGANI WA TIYANI

 Este artigo foi publicado em primeira mão na versão em PDF  do jornal Correio da manhã, no dia 06 de Setembro de 2017, na rubric seminal Ranco do Pobre

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Trocar »