Despejados em Joanesburgo

Mais de cento e cinquenta pessoas, incluindo crianças, foram despejadas de um prédio precário no centro da cidade de Joanesburgo e vivem na rua. Autoridades municipais dizem que querem recuperar a imagem da cidade tomada por indigentes e consumidores de droga.

Os despejados bloquearam uma secção da Jeppe Street na esquina com Harrison com Mobília e muita mobília de mais de 150 pessoas.

Os inquilinos viviam no prédio precário no centro da cidade de Joanesburgo, mesmo ao lado da sede do FirstNationalBank (FNB), o maior banco comercial sul-africano. As autoridades municipais desencadearam uma guerra sem quartel contra a ocupação ilegal de prédios precários na cidade de Joanesburgo, depois de um incêndio que matou sete pessoas, incluindo um imigrante ilegal moçambicano, há cerca de três semanas.

Segundo o presidente do município da chamada “Cidade de Ouro”, existem pelo menos 85 prédios abandonados e tomados por indigentes, traficantes e consumidores de droga.

Os inquilinos, alguns dos quais imigrantes ilegais, são acusados de envolvimentoem criminalidade, estupro ou violação sexual de mulheres e crianças e outras práticas anárquicas.

Quase todos não têm emprego formal na economia mais industrializada em África.

Assaltos ou roubos são frequentes à luz do dia na cidade de Joanesburgo.

O coordenador dos despejados disse que a ordem de despejo foi executada nesta quarta-feira sem aviso prévio.

Ndumisso, proveniente da província do Cabo Oriental e vivendo no prédio há 18 anos, considera haver racismo por parte do município, dizendo que apenas os negros são despejados sem aviso e o mesmo não acontece com pessoas de outras cores da pele na África do Sul.

Bens dos desalojados amontoados de qualquer maneira na via pública em Joanesburgo
Bens dos desalojados amontoados de qualquer maneira na via pública em Joanesburgo

Segundo Ndumisso, todos os inquilinos pagavam renda mensal ao senhorio desconhecido pelo município.

Os apartamentos nãotêm água nem energia eléctrica.

Um jovem imigrante moçambicano que passava para o seu posto de trabalho e interpelado pelo Correio da manha nas imediações do drama apelou aos seus conterrâneos a evitarem fazer aventuras para África do Sul sem condições.

Marcelo José Cossa disse que na África do Sul já não há emprego para ninguém sem formação académica.

Efectivos da Polícia Municipal, apoiados por unidades da Polícia Nacional e guardas de segurança privada, montaram cordão de segurança para evitar o regresso dos inquilinos aos seus respectivos apartamentos.

THANGANI WA TIYANI, Correspondente na África do Sul

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