Confrontos em Malema

Uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas depois de terem sido alvejadas pela polícia de Moçambique, durante um ataque de residentes ao comando da corporação em Malema, no norte do país.

“Quatro cidadãos foram alvejados, um perdeu a vida a caminho do hospital e os outros três feridos foram transportados para o Hospital Central de Nampula”, província onde ocorreram os incidentes, na segunda-feira, referiu Inácio Dina, citado pela agência Lusa.

De acordo com aquele responsável, a polícia disparou para se defender de um grupo que pretendia libertar cerca de 40 pessoas que tinham sido detidas dias antes por suspeita de instigarem tumultos com base na história dos “chupa-sangue”.

O distrito de Malema foi um dos afectados pela recente onda de agitação provocada pela ideia de que há pessoas que, durante a noite, retiram o sangue às pessoas com instrumentos especiais.

O mito é recorrente e já tinha motivado distúrbios em que morreram duas pessoas, na madrugada de quinta-feira, em Gilé, na província da Zambézia.

Inácio Dina disse à Lusa que é necessário “um trabalho de base, de prevenção”, que envolva diversas entidades e organizações, por exemplo, na área da saúde, para esclarecer a população.

Como exemplo dessa necessidade, apontou um outro caso registado nos últimos dias, na província de Sofala, em que uma residente, só por ter sido vista a sair de uma consulta num hospital, foi considerada vítima de “chupa-sangue”, sinalizando a chegada dos agressores à região.

O porta-voz da PRM considera essencial a prevenção para que a desinformação não cresça ao ponto de provocar tumultos com multidões armadas a atacar as autoridades e estas a terem que responder, como tem acontecido.

Dois antropólogos ouvidos pela Lusa consideram que a questão pode ser mais profunda do que parece.

“O ‘chupa sangue‘ parece uma figura projectada pelas populações descontentes e simboliza um governo local que não consegue criar condições para que a vida das pessoas seja mais digna”, disse à Lusa, na sexta-feira, o antropólogo moçambicano Segone Cossa.

Por seu turno, Tirso Sitoe, também antropólogo moçambicano, salientou na altura que não basta “dizer simplesmente que [a história do ‘chupa-sangue’] se trata de um boato. Esta afirmação não tem em si um modelo de explicação sobre um determinado problema social que tem de ser resolvido. É preciso entender e desmistificar a questão a nível local”, concluiu.

Redacção

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