ANC abre oficina política

O Comité Executivo Nacional do Congresso Nacional Africano (ANC) com 80 membros, está reunido em East London, província do Cabo Oriental, pela primeira vez depois do congresso do partido realizado de 16 a 20 de Dezembro ultimo em Joanesburgo. O primeiro encontro decorre no meio de muitas especulações sobre a destituição de Jacob Zuma do cargo de chefe do Estado.

Há muita expectativa sobre o primeiro encontro do Comité Executivo Nacional do ANC depois do congresso realizado em Dezembro passado, por causa da forte pressão interna e externa para a destituição do Presidente Jacob Zuma da chefia do Estado sul-africano, antes do fim do seu segundo e último mandato que termina em 2019.

O académico e analista político, Mcebisi Ndletyana indica que há um assunto prático que o ANC deve resolver imediatamente: enviar mensagem à sociedade de que o partido não acomoda líderes corruptos e quer uma liderança ética e honesta.

Para o académico, a mensagem deve chegar o mais cedo possível porque no próximo ano 2019 África do Sul vai as eleições gerais e Jacob Zuma tem sido um grande fardo para o ANC que provocou a perda de 15% do eleitorado nacional do partido nos últimos oito anos da sua liderança.

Esta semana, Jacob Zuma anunciou a criação de uma comissão judicial de inquérito sobre alegações da captura do Estado por pessoas privadas das quais se destaque para a família milionária Gupta de origem indiana ligada ao presidente Zuma e alguns membros da sua família alargada.

O professor Mcebisi Ndletyana acredita que as investigações vão revelar muita informação sobre o estado de corrupção no ANC e Zuma esta mesmo no epicentro. Essa investigação vai relevar muita informação mostrando o nível de corrupção no ANC e Zuma está no meio disso – disse o professor Ndletyana

Segundo o académico e analista político, na África do Sul as sessões das comissões de inquérito são televisionadas e tudo vai sair a público. Então – explica o académico – para preservar o nome do ANC e limitar os danos que vai sofrer durante as audições, o partido deve se livrar de Jacob Zuma.

Em 2008, o ANC liderado por Zuma destituiu Thabo Mbeki da chefia do Estado sul-africano quando ainda faltavam cerca de oito meses para o fim do seu segundo e último mandato. Consequentemente, os descontentes formaram novos partidos.

Para o académico, este cenário não vai repetir-se caso Zuma seja destituído porque e acusado de vários casos de corrupção.

Segundo o académico, se Zuma for destituído, aqueles que deixarem o partido para formarem outro partido não terão oportunidade de serem competitivos, porque isso vai significar que eles são associados de Jacob Zuma acusado de corrupção.

Então, você não pode formar um partido quando é acusado de corrupção. Quem pode votar para você…? – indagou, em jeito de comentário, o analista.

O novo Presidente do ANC, Cyril Ramaphosa defende que os membros do partido colocados no governo ou noutras posições de direcção devem ser orgulho e não o embaraço.

O recente congresso do ANC decidiu que o partido e o principal centro do poder que toma decisões e da orientações aos seus membros colocados no governo.

THANGANI WA TIYANI, CORRESPONDENTE NA ÁFRICA DO SUL

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Trocar »